segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Sexta Estação: Percorrendo o Vento

"Para dizer a verdade, nem sei em que ponto da juventude me apaixonei pelo vento que sopra quando chego a algum lugar, ou, simples,  na intenção de partir. É sempre um ar morno, com cheiro transitivo. O movimento é suave,  um queimor na face que se faz sentir. A mera vontade de andar. E vou.  Sempre volto, preservo a moldura da rotina, mas, a cada sopro, desejo voar. Há muitos outonos conheci este vento (...)"

Há alguns anos escrevi este trecho, contando os episódios de uma personagem nômade, desenhista de mapas turísticos cujos esboços traçava em seu Moleskine. Daí por que o nome deste blog era, originalmente, "Expresso Moleskine": há um estado transitório ligado às experiências de viagem que se assemelha, em meu sentir, ao percurso do trem. Ao mesmo tempo, o termo remete à pausa para a xícara do expresso negro, uma pausa refletida, introspectiva, em que o viajante determina o caminho, repousa, desenha a próxima parada, frente à força do sabor.
O trem, o café, o Moleskine (clássico): todos com um tom em comum, além do uniforme negro. Para mim, são passaportes para territórios, internos e externos em nós.
Optei pelo título Expresso Nômade para manter o termo "expresso"-este sim me parece fundamental- e a qualidade do nomadismo, não necessariamente geográfico, da personagem. Usar o nome Moleskine no título era meu desejo, mas ainda aguardo autorização da empresa para tal, uma vez que é Marca Registrada.  Deixo esta explicação apenas para que o leitor conheça o principal elemento da(s) história(s), o Moleskine clássico, de capa e elástico pretos, essencial artigo dos nômades contemporâneos.

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